segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Perder alguém é como caminhar num corredor escuro. Ao início sentes-te reticente e não tens bem a certeza se vais cair, mas continuas a caminhar. O corredor é longo e estreito. Para sair dele terás de o atravessar. E tu assim fazes.
Não vês nada. Nem os contornos dos móveis, nem uma frincha de luz. Esperas que os teus olhos se habituem à escuridão, mas não consegues. Caminhas lentamente e esperas não tropeçar em nada. Mas cais. Não porque tropeçaste, não havia lá nada. Nem um tapete, nem uma tábua de madeira solta. Mas caíste por medo. Sim, um acto psicológico fez-te cair e tu só pensas que nestes casos gostarias de não pensar. De não ser humana.
Mas caiste e agora estás no meio do corredor escuro. Faz frio e não te consegues levantar. Esperas que alguém te ajude, mas ninguém aparece durante horas. Nem mesmo o carteiro ou a empregada. E ficas lá, imóvel e calada porque também não tens coragem para gritar.
No dia seguinte, alguém decide ajudar-te, por acto de gentileza ou não. Tu levantas-te a muito custo e segues no corredor. Mas a luz ainda não se acendeu e não sabemos quanto tempo de penumbra iremos ter de aguentar.

Muitas vezes tiveste medo de ter medo do grande corredor. Mas não tenhas. Eu própria já me perdi nele muitas vezes. E é difícil saber quando vai voltar a amanhecer. Se é.

Sem comentários:

Enviar um comentário