sábado, 17 de abril de 2010

Aquele não era o seu primeiro namorado, ou paixoneta, digamos antes assim. Ela não gostava de levar as coisas por uma vertente mais séria. Gostava deles por umas horas, por umas noites... Não havia nada neles que a fizesse mudar de opinião: eram apenas homens. Amava-los de natureza. O seu charme, o seu encanto, os presentes e todo o romantismo associado à cena. Mas não os amava como os protagonistas de um filme ou como os seus pais se amavam. Era das poucas coisas que tinha certeza.
E ele tinha tudo para ser mais um na sua lista das conquistas. Passara por muitos barcos antes de chegar àquele porto, naufragara até. E foi numa festa que o conheceu. Tinha um sorriso demasiado caloroso e umas mãos suaves. Os contornos do seu rosto eram esculturais e transbordava de charme. Ela, tal como ele, também era bela. Movimentava-se na festa sentindo todos os olhos pousados em si e na sua pose, de cigarrilha na mão. E usava um provocante colar de pérolas. Afinal, ela seria sempre assim. A sua vida era um jogo de sedução.
Sentou-se a seu lado e, depois de algumas bebidas tomadas e de uma conversa agradável, ele confessou-lhe sussurrando-lhe ao ouvido: "És das mulheres mais bonitas que eu alguma vez conheci e és, sem dúvida, uma tentação para qualquer um. Possuis muito charme e és muito interessante. Porém, vejo também que és muito solitária e, aqui entre nós, tu não precisas de mim. Tu pensas que precisas de mim ou que precisas de me amar por umas horas. Mas a verdade é esta: tu precisas de te amar a ti."

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