domingo, 20 de junho de 2010

Tenho muita coisa que gostaria de te dizer, escrever até. Mas a minha mente não é o que outrora foi e nós crescemos, todos nós crescemos. Crescemos e partimos. Menos eu. Faz parte, não é? Mas eu nunca me conformo com o que faz parte. Vivo neste impasse de palavras inacabadas e nunca contadas.
É tanta, mas tanta... Tanta matéria dispersa nesta pobre cabeça. Assuntos que gostava de apanhar para formar um texto coeso, um texto que lesses. Porém, eu não cresci e tu sim. Eu continuo no meu mundo do faz-de-conta-que-a-realidade-não-magoa e magoei-me ao perceber que as tuas pernas mudaram de tamanho e a tua cara aumentou. E tu subiste mais um degrau, e mais outro, e mais outro. E eu, no fundo da escadaria a chamar pelo teu nome. Nome que te deram e agora não serve, porque és uma pessoa crescida sem alcunhas, mas com muita seriedade. Eu não, eu sou a menininha pequenina que não tem vocabulário para ti e para as tuas histórias complicadas. A menina que alegra os outros ao pegarem-na ao colo, a menina que dança se lhe batem palmas. A menina que não aumentou e continua do tamanho de uma ervilha. Sim, sinto-me do tamanho de uma daquelas bolinhas verdes que boiam na sopa e tu agora comes. Sim, agora já comes ervilhas, já és uma menina grande e as meninas grandes comem tudo! Até apertas os sapatos sozinha.
Mas não te preocupes, eu um dia hei-de crescer, espero eu. Aí já podemos conversar e sentir-me-ei à altura dos teus desafios. Por agora, contento-me com a entrada no secundário e sentimentos pequeninos, capazes de encher uma só formiguinha. Tu não. Nem os teus sentimentos. Muito menos a tua mentalidade! Esses enchem uma piscina. Daquelas grandes. Mas eu tenho medo delas. Afinal de contas, eu ainda preciso de bóia. Tu nadas sozinha e eu espero-te na praia, sabendo que é inútil esperar. E tu nadas, nadas... Para bem longe...

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