hoje foi um dia bonito. é um dia bonito. todos somos bonitos. sim, a sério. não faças essa cara, pois é bem verdade. somos todos belos. somos mesmo. não acreditas?
ela tinha sardas castanhas, pequenas pintinhas que lhe enchiam a cara e os braços. e o cabelo dela, esse era ruivo claro, cor de pêssego. e ela era muito bonita. tinha olhos cor de mel que pareciam derreter quando vistos à luz do dia. aliás, ela não era bonita. ela era linda. mas tinha um coração feio. o tempo havia-o magoado e ela também sofria com o tempo, que mais tarde a haveria de magoar também. deixava que aquela ínfima parte do seu corpo subordinasse todo o resto. as sardas. o cabelo. os olhos. quem olhasse para ela, via ali um calvário. uma menina chorona e feia.
ela passava os intervalos da escola sozinha. não almoçava com os colegas. não sabia dançar, pois nunca dançara. e não cantava. eu não posso dizer que a entendo porque sempre fui uma criança demasiado feliz para reparar nela. basicamente, ninguém reparava nela. só tu. tu reparaste e deste-lhe uma vida. sim, uma verdadeira vida. com correrias e canções. mas também lhe partiste o coração. muitas vezes. porém, eu sei que o reconstruíste sempre. não te penalizo por o teres partido. reparaste nela. pegaste na pedrinha que todos chutavam. que mais posso eu pedir?
obrigada. mais uma vez.
ela teve sorte :)
ResponderEliminar- está mesmo bonitoo! *.*