terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

lágrimas de crocodilo

Num dos teus momentos que recordo vagamente, estamos os dois numa sala escura. Talvez também sejam meus ... Não, eu perdi-te. A ti e a nós. Para além de ti e de mim só existia uma pequena luz que provinha dos botões da aparelhagem e os contornos cegos da mobília. Era de noite e nós estávamos às escuras. Estavas ao meu lado e olhavas fixamente para a aparelhagem enquanto eu olhava fixamente para ti. Pareceu um momento que durara anos a passar, como se tivéssemos envelhecido naquela pequena sala, que nem sequer era da nossa grande casa azul.
«Como o tempo passa.» disseste-me tu. Mas naqueles três segundos, naquela sala que não era de ninguém, o tempo não passara e nós não estávamos mais velhos a cada segundo. E não nos amávamos mais do que nos tínhamos amado no segundo anterior. E eu perdi-me. Perdi-me na sala escura e perdi o teu amor.
Encontrar-te-ei numa outra manhã de sol, a beber chá, no nosso jardim de glicínias. Mas já sabes, nunca me dês rosas.

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