Eu tenho um peito cheio de vácuo. Há quem não tenha nada, mas eu tenho um nada. Tenho uma solidão que me persegue e um ódio que me acompanha desde o erguer até o deitar. Tenho mil lágrimas pesadas que teimam em cair e meia dúzia de cicatrizes neste coração. Eu tenho sempre algum motivo para gritar. E quando o faço, faço-o de dor. Há sempre algo que dói e não há nada a fazer. Tenho sempre uma sensação de cansaço e uma mente que ninguém quer perceber. Eu tenho-me a mim, a única pessoa capaz de me agarrar e abraçar a minha dor. Eu tenho um coração magoado e uns olhos enfeitados de olheiras. Não adormeço e não quero comer.
Tenho estrelas no tecto do meu quarto e lembro-me que as colocaram ali para indicar a porta quando quisesse sair. E pelos vistos ficou escuro, pois tu saiste e posso jurar que sabias o caminho de cor. Mas eu tenho dor e não ta posso dar. Também tenho esperança que um dia voltemos a ser felizes, coisa que ninguem é. Ou que voltemos a ser pessoas, coisa que quase ninguém é. Mas, o que importa, é que o meu orgulho não se parta em dois, como eu. Pois ele é só meu e a culpa também é so minha.
Sem comentários:
Enviar um comentário