quarta-feira, 24 de março de 2010

Querida Solidão,

Desde que mudaste de casa, eu não me senti sozinha. Mas agora que me sento e te escrevo, sinto-me muito só. Deve ser uma da manhã e não consigo dormir (algo a que não te tenha habituado).
Sabes, tenho pensado muito nas coisas. E agora que te escrevo esta carta, já tirei a máscara. Penso que a pus para lavar no monte da roupa suja, até. E sabes outra coisa, estou cansada dela. Por momentos pensei deixá-la em casa amanhã. Aquela máscara que esboça um sorriso. Estou farta de a exibir. O sorriso já não combina comigo, nem a mágoa combina contigo. E se invertêssemos os papéis, Solidão?
Vou para o meu deserto. O nosso deserto. Talvez te encontre lá, pois no deserto não há nada excepto eu. E tu, quando lá vais. Somos só nós e a poeira. O coração não costuma entrar, gosta mais de ficar à entrada, a ver os diálogos aborrecidos a passar.


Amor. Aquele que não tenho.
MG.

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