domingo, 16 de maio de 2010

Olhei uma última vez para as estrelas do tecto do meu quarto e de seguida olhei uma última vez para o visor do relógio. Eram 3:34h. Não conseguia dormir, mas isso já era habitual.
Quando finalmente adormeci, sonhei contigo. Tinhas feito trinta e oito anos e eu achava isso estranho, confuso. Mas o teu B.I não mentia, tinhas mesmo nascido em '72. Todavia, custava acreditar que ainda dançavas na pista de dança, sem medo, sem nada. Por momentos eras tu e só tu. E o teu vestido azul petróleo. O teu cabelo, agora castanho chocolate, assentava-te como uma luva. Mas a idade não.
Continuei a pensar, talvez a sonhar. Sinceramente, nem sei bem se estava acordada ou não. Um dia tu ias morrer. A lei da vida premeditava o seguinte: eu crescia contigo, teria filhos e ver-te-ia a morrer. Mas eu não queria isso, era injusto demais deixar que te levassem. Acordei do sonho, ou simplesmente caí em mim. Ia ser assim (até certo ponto, eu podia morrer amanhã de uma causa não-natural). E isso doía-me muito e ainda me dói hoje, agora que tenho a certeza que estou acordada.

Boa noite. Eu vou com as aves.

1 comentário: