segunda-feira, 14 de junho de 2010

parte quatro, talvez a última...

Ela estava despedaçada. Pensou no que faria à casa que era dele, ao carro, às fotografias e quadros. Também pensou como haveria de contar à família...
Mas a coisa não se passou exactamente assim. Todavia, eu vou-vos dizer o que realmente se passou. Depois dos homens chegarem, desculparam-se da seguinate maneira:
- Desculpe vir incomodá-la até aqui, senhora. Mas questões fundamentais trouxeram-nos cá.
- Não tem que pedir qualquer desculpa. Não se lamente com questões sem importância. - respondeu ela, tapando o corpo semi-nu.
- Bem, desde já entrego-lhe esta carta, do seu marido... Nem sei como lho hei-de dizer.
Ela percebeu o que se passara. Por momentos, não chorou nem tremeu. Não gritou nem gemeu. Aquilo não podia estar a acontecer. Ela estava loucamente envolvida numa relação que não poderia ter fim. Prendera-se demasiado a algo que não era seu.
- Há quanto tempo foi? - perguntou passados dois minutos.
- Trinta dias, senhora.
E ela agarrou-se a uns braços que não eram seus e morreu mais um bocadinho, ali na praia. Gotas doces escorriam-lhe na face. As gotas que um dia se juntariam àquela grande porção de água, àquele mar que ela agora tanto amava e detestava. Ao seu mar. Ao mar que era deles.

Fim.

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