Enquanto estava na água, muita coisa lhe passou pela cabeça. Turbilhões de pensamentos e pensamentos assombravam-na.
A cigarreira luzidia que ele lhe dera (para cegar os cigarros e fazer com que ela não fumasse, dizia ele); o ramo de rosas que ela recebera (trinta dias antes! Onde estariam esses dias?); o sofá que proporcionara a sua última discussão, devido ao facto de ele gostar de esticar as pernas (e os sapatos!) sobre ele; a roupa dele que ela engomara cuidadosamente; uma tarde só deles no terraço de casa e o chão de tijoleira quente; uma noite - a última - abraçados; as rugas de expressão que se esbatiam pelas têmporas e se tornavam cada vez mais fundas ao longo da testa; uma fotografia deles, abraçados, na praia. Quando chegou a este último pensamento, parou. Quase tremeu. Ela estava na praia e agora era uma das pessoas insignificantes que preenchiam o fundo da paisagem... Sim, todas as pessoas da fotografia, para além deles, eram insignificantes. Eram só eles. Eles e eles. Naquela altura. Agora era só ela. Sozinha no mar, desesperada por nadar e sair dali. Fugir de todas essas lembranças. Esquecê-lo por uns segundos. Tudo isto eram impossibilidades, obstáculos. Parou de nadar contra a corrente. Ficou ali. Esperou um milagre, alguém. Mas ninguém apareceu. E ficou, durante uns longos segundos que se desdobravam em minutos e estes em horas. Na sua cabeça eram dias, semanas. Longos dias, longas semanas...
'' E ficou, durante uns longos segundos que se desdobravam em minutos e estes em horas. Na sua cabeça eram dias, semanas. Longos dias, longas semanas... ''
ResponderEliminaristo identifica-se um bocadinho comigo. $
- adorei , para não variar *.*
beijinhos :)
de nada :)
ResponderEliminarnão.. não sei o que escrever.