terça-feira, 8 de junho de 2010

parte um

Vou contar uma história. Por partes. Mesmo que ninguém a vá ler, eu vou postá-la por partes. Aos bocadinhos. Para não dar tudo de uma vez. Primeiro dou-vos o coração da personagem, assim poderão entendê-la. O resto vem depois. A mágoa vem depois.


Passaram-se vinte dias. Vinte dias sem um sinal, uma mensagem escrita, uma carta, um telefonema. Ela esperava por ele impacientemente, mas esperava (afinal, esperar faz parte de quem ama). Mas a impaciência era comum, quase típica. Já a mãe era impacientemente impaciente e quem sai aos seus não degenera. Aliás, elas eram demasiado parecidas. Mas Ana tinha o cabelo ainda mais loiro. Anda mais comprido. E detestava afiar os lápis e andar de carro!
Cansada de esperar junto do telefone, Ana saiu. Precisava de apanhar ar, de ver o sol, nem que fosse por uma última vez. Foi passear na praia. Foi bom fazê-lo após vinte dias de exaustão, de massacre psicológico. Vinte dias sem luz e, o pior, sem amor! Mergulhou no mar, outrora quente e calmo, como se este fosse o seu último mergulho e deixou os pensamentos boiarem. Talvez estes também se purificassem. Mas agora até o mar estava impaciente, chato, vidrado de preocupação. Na água límpida e desprovida de nutrientes (como citam os bons estudos de biologia) via o reflexo dos seus grandes e verdes olhos, agora cansados e rodeados de olheiras.
Estava no mar, a água que lhe proporcionara as maiores alegrias e tristezas. Se não fosse o mar, não havia grande fonte de diversão nos seus Verões. Todavia, o mar levara-o. Se não fosse o mar, ele não teria partido. Mas aquele era o seu sonho, alistar-se na marinha e navegar pelo mar alto.

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